Este inquérito, realizado entre 27 de fevereiro e 4 de março de 2026, teve como objetivo principal auscultar os docentes dos grupos 100 (Educação Pré-Escolar) e 110 (1.º Ciclo do Ensino Básico) sobre as suas condições de trabalho, o reconhecimento profissional e os desafios inerentes ao regime de monodocência em Portugal.
95,88% taxa de validação
Respostas consistentes após controlo de qualidade
0% (Nunca) a 100% (Frequent.)
Percentagem que indica uma tendência moderada para ponderar deixar a profissão
Escolas e agrupamentos identificados pelos professores inquiridos
A amostra foi constituída por 7072 respostas válidas de docentes maioritariamente do ensino público, com vínculo de Quadro de Escola/Agrupamento e mais de 20 anos de serviço. O questionário abordou áreas como a avaliação de recursos, impacto na saúde, intenção de abandono, reconhecimento profissional e propostas de melhoria, tendo sido utilizada uma metodologia de análise estatística descritiva e análise de conteúdo para as respostas abertas.
A acumulação de funções de natureza pedagógica, educativa, assistencial e administrativa, aliada a uma carga horária letiva superior à dos docentes dos restantes ciclos de ensino, tem sido frequentemente apontada como fator gerador de elevado desgaste físico e profissional, contribuindo para o aumento da desmotivação e para o abandono precoce da carreira docente.
Neste contexto, o presente inquérito surge da necessidade de compreender, de forma estruturada e sustentada em dados empíricos, a dimensão real e as múltiplas dimensões desta problemática.
Objetivos do Inquérito: O presente inquérito teve como principais objetivos:
Estrutura do Relatório: O presente relatório encontra-se organizado em seis secções principais. Após este enquadramento, é descrita a metodologia utilizada na recolha e análise dos dados. Segue-se a secção central de apresentação e análise dos resultados, onde são exploradas as respostas a cada grupo de questões. Posteriormente, na discussão e conclusão, são sintetizadas as principais descobertas e confrontadas com os objetivos iniciais. Por fim, são apresentadas um conjunto de recomendações práticas, destinadas aos decisores políticos e à comunidade educativa.
Desenho Estrutural da Recolha: Trata-se de um estudo quantitativo e qualitativo, baseado num inquérito por questionário online, aplicado entre os dias 27 de fevereiro e 4 de março de 2026.
População e Amostra: O público-alvo foram docentes portugueses dos grupos de recrutamento 100 (Educação Pré-Escolar) e 110 (1.º Ciclo do Ensino Básico). A amostra foi obtida por conveniência, através da divulgação do questionário em plataformas e redes sociais dirigidas à classe docente. Foram validadas um total de 7072 respostas. A amostra é maioritariamente composta por docentes do sexo feminino (inferido pelo contexto), do ensino público (aproximadamente 97%), com vínculo de "Quadro de Escola/Agrupamento" e com mais de 20 anos de serviço, o que confere grande peso à experiência de docentes no final da carreira.
Instrumento de Recolha de Dados: O questionário, era composto por 23 questões, abrangendo tópicos como:
Métodos de Análise: A análise dos dados quantitativos foi realizada através de estatística descritiva, calculando frequências absolutas e relativas para as diversas variáveis. As respostas às questões abertas foram submetidas a uma análise de conteúdo temática, onde se identificaram e agruparam padrões, ideias e reivindicações recorrentes, permitindo uma compreensão aprofundada das perceções e sentimentos dos inquiridos.
Experiência profissional dos docentes inquiridos.
Fonte: Inquérito Nacional Monodocência 2026 (n=7072).
Perceção sobre a adequação dos recursos humanos.
Fonte: Inquérito Nacional Monodocência 2026 (n=7072).
Adequação das condições materiais e físicas das escolas.
Fonte: Inquérito Nacional Monodocência 2026 (n=7072).
Sintomas decorrentes da atividade profissional.
Nota: Múltiplas respostas possíveis. Percentagens calculadas sobre total de inquiridos (n=7072). Fonte: Inquérito Nacional Monodocência 2026.
Relação entre tempo de serviço e horas extras (percentagens por categoria).
Fonte: Inquérito Nacional Monodocência 2026 (n=7072).
Vínculo profissional dos docentes inquiridos.
Fonte: Inquérito Nacional Monodocência 2026 (n=7072).
Concelhos com maior participação.
Fonte: Inquérito Nacional Monodocência 2026 (n=7072).
Frequência com que ponderaram deixar a docência.
Fonte: Inquérito Nacional Monodocência 2026 (n=7072).
Baseado nas respostas dos inquiridos sobre "o maior problema" e "o que mudar" na monodocência.
| Coluna Analisada | Sentimento Predominante | Tom Emocional | Temas Principais |
|---|---|---|---|
| Maior Problema | Negativo (98%) | Exaustão, Indignação, Sobrecarga | Burocracia, excesso de horas, indisciplina, desgaste físico/mental. |
| O Que Mudar | Construtivo / Aspiracional (85%) | Esperança, Exigência, Desejo | Respeito pela carreira, redução de turmas, reforma, valorização. |
| Excerto da Resposta | Contexto | Sentimento | Justificação |
|---|---|---|---|
| "Burocracia, turma grande e idade avançada..." | Problema | Negativo | Foco em limitações e dificuldades operacionais. |
| "Respeito pelos docentes e crianças." | Mudança | Positivo | Expressa um valor ético e desejo de harmonia. |
| "Extrema sobrecarga de trabalho, desgaste físico e mental..." | Problema | Muito Negativo | Linguagem que indica sofrimento e injustiça. |
| "Redução da carga letiva, diminuição do número de alunos..." | Mudança | Objetivo | Foco em soluções técnicas e organizacionais. |
Síntese dos principais desafios e soluções identificadas pelos docentes
Os resultados evidenciam uma forte presença de tarefas administrativas e logísticas na atividade docente. Mais de 63% das tarefas identificadas não correspondem diretamente a funções pedagógicas.
Baseado na análise de conteúdo das 4745 respostas abertas sobre problemas e soluções na monodocência
Discussão e Limitações: Estes dados refletem a opinião de uma amostra muito significativa de docentes experientes, conferindo-lhes um peso considerável. A principal limitação do estudo reside no método de amostragem por conveniência, que, embora tenha permitido obter um grande volume de respostas, pode não ser estatisticamente representativo de toda a população, podendo existir um viés de resposta onde os docentes mais descontentes estivessem mais motivados a participar. No entanto, a consistência e a força das respostas apontam para um problema estrutural e não para uma mera perceção minoritária.
Com base nas conclusões apresentadas, recomenda-se um conjunto de ações prioritárias:
Na revisão do ECD a tutela deve: