Lisboa, 11 de julho de 2026. O Eduqa garantiu esta manhã, num esclarecimento publicado na sua página oficial, que não existe qualquer orientação para os professores classificadores concluírem a correção de respostas incompletas por falta da folha de continuação.
A MetaPROF regista, com data e fonte direta, o contrário: a instrução circula nos fóruns oficiais da própria plataforma, atribuída a supervisores, pelo menos desde o dia 8 de julho - e, segundo testemunhos recebidos, manteve-se em vigor até ao próprio dia do desmentido.
Testemunhos recebidos, após o esclarecimento / desmentido da EduQa, indicam uma mudança de discurso nos fóruns: as respostas dos supervisores às questões sobre esta instrução passaram a limitar-se a remeter os classificadores para o JNE, sem identificar quem a emitiu originalmente ou se foi entretanto revogada.
Dos 561 testemunhos recebidos pela MetaPROF desde o início do processo, pelo menos 95 mencionam explicitamente folhas de continuação, 61 dizem ter recorrido ao mecanismo oficial de "reportar", e 32 falam em folhas de continuação em falta. Catorze relatam ainda um padrão distinto mas relacionado — Tipo C —: itens que desaparecem do ecrã do classificador e reaparecem "já classificados por outrem", sem qualquer explicação sobre quem os corrigiu ou com que dados.
Alguns Testemunhos
"Classifiquei 35 e deixei uma pendente porque faltava a folha de continuação. Reportei o caso, e até hoje não obtive resposta."
"Durante 5 dias tive 39 itens por corrigir com folhas de continuação em falta. Desapareceram todas as provas, substituídas por 81 exemplares de um item, das quais 7 já classificadas por outrem."
"Deparei-me com as respostas do grupo III, com três já classificadas — mas não por mim."
"Enviei a mesma questão ao EduQA, ao JNE e ao Ministério da Educação. De nenhuma das três entidades recebi resposta substantiva."
A MetaPROF identifica um terceiro padrão de falha na plataforma — Tipo C —, que junta os dois problemas anteriores num único caso: a 11 de julho, um classificador recebeu de volta os mesmos itens que tinha reportado como incompletos - agora já classificados, sem ação sua. A data não é indiferente: o Eduqa admite ter feito, na noite de 9 de julho, uma "intervenção generalizada" para "normalização do processo" na sequência de reportes semelhantes. No mesmo dia, e depois de o Eduqa desmentir publicamente a instrução, os classificadores que insistiam em obter esclarecimento viram as respostas dos supervisores mudar de "classifique com os dados que tem" para "dirija a questão ao JNE" - sem que nenhuma das duas posições fosse assumida ou fundamentada.
- Em que consistiu, tecnicamente, a intervenção generalizada realizada na noite de 9 para 10 de julho?
- Quando um item reportado por falta de folha de continuação é devolvido como "classificado" sem ação do classificador original, com que dados e por quem foi classificado?
- Qual é o procedimento oficial, até ao prazo de 14 de julho, para itens cuja folha de continuação nunca chegue a ser disponibilizada?
Sem resposta a estas perguntas, o botão "reportar" - apresentado pelo Eduqa como a via oficial e correta de reporte - não pode ser distinguido, do ponto de vista de quem classifica, de um mecanismo que arquiva os problemas em vez de os resolver. A três dias do prazo final de 14 de julho, isso deixa de ser uma falha técnica: é uma incerteza sobre a fiabilidade da classificação de que depende o futuro académico de milhares de alunos.
Pedido formal enviado
A MetaPROF enviou hoje estas perguntas, ao Eduqa e ao JNE, com pedido de resposta escrita. Até à publicação deste comunicado, não tinha sido recebida qualquer resposta.
Contacto: info@metaprof.pt · 917 352 023 - 91 602 15 87
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