A MetaPROF disponibiliza-se para ajudar a EduQA
A escassos dias do fim do prazo de classificação dos Exames Nacionais 2026, e perante o caos reportado por centenas de professores classificadores em todo o país, a MetaPROF vem, por este meio, colocar à disposição da EduQA e do Júri Nacional de Exames a sua experiência técnica e operacional para ajudar a resolver uma crise que, manifestamente, estas entidades não estão a conseguir solucionar.
Sabemos que pode soar invulgar: um movimento cívico - sem orçamento, contratos públicos ou consórcios de universidades - disponibilizar-se para ajudar entidades contratadas pelo Estado para garantir a classificação rigorosa e atempada de 160 mil provas. Mas a realidade dos factos não deixa margem para dúvidas.
Esta semana, a EduQA enviou aos professores classificadores uma orientação, através da sua plataforma, que se resume ao seguinte: sempre que o sistema falhar, seja por páginas trocadas, itens em falta, provas com códigos errados ou folhas em branco, os docentes devem registar a ocorrência, identificar o item, enviar um e-mail e, em casos graves, telefonar ao Presidente do Júri Nacional de Exames. Num sistema desta dimensão, a ausência de um módulo digital para a correção de erros, algo que qualquer analista júnior reconhece como imprescindível - é intolerável.
Para um processo que nasceu sob a promessa tecnológica do Novo Modelo de Avaliação, sob o lema "avaliar melhor os alunos para os ajudar a aprender mais", a realidade em plena época de exames em 2026 é confrangedora: a grande solução do sistema resume-se a um número de telefone.
Entretanto, o Ministro da Educação, Fernando Alexandre, garante reiteradamente aos jornalistas e compromete-se, na Assembleia da República, com a garantia de que tudo decorre "dentro dos prazos previstos" e de que "nenhum aluno será prejudicado". Contudo, a MetaPROF regista, neste momento, cerca de 200 testemunhos documentados de professores que relatam convocatórias para disciplinas erradas, credenciais que não chegam e até docentes reformados ou falecidos convocados para a classificação de provas. Se este cenário se enquadra "dentro dos prazos previstos", gostaríamos genuinamente de perceber que prazos são esses.
Uma proposta concreta, não uma provocação vazia
A MetaPROF construiu, em poucas horas e com recursos próprios, uma plataforma pública de recolha, validação e visualização de testemunhos, equipada com painel de moderação, analítica própria e cronologia documentada do processo. Não foi necessário qualquer concurso público, um consórcio de seis universidades, nem milhões de euros do PRR. Foi apenas preciso saber o que se está a fazer.
Por isso, propomos formalmente à EduQA e ao JNE:
- A disponibilização de um canal estruturado de reporte de incidentes: substituindo o atual sistema de "telefone ao presidente" por um processo auditável, transparente e rastreável;
- O apoio na sistematização e categorização dos erros: permitindo uma resposta coordenada e célere, em vez da ineficiente gestão caso a caso;
- A partilha da nossa experiência no tratamento de dados: assegurando o respeito integral pela confidencialidade e pelas normas de proteção de dados aplicáveis a este processo.
Tudo isto sem fins lucrativos. Sem necessidade de recurso a outsourcing para entidades e empresas que desconhecem a realidade da escola. Apenas com domínio do dossiê, determinação e a confiança dos professores, que recorrem à MetaPROF para expor o que se passa no terreno - porque, ao que tudo indica, não confiam que mais ninguém o vá fazer por eles.
Entretanto...
Por curiosa coincidência de calendário, hoje, dia 1 de julho, o Governo apresenta oficialmente o Amália, o seu modelo de Inteligência Artificial "soberano", após mais de ano e meio de anúncios, adiamentos e 5,5 milhões de euros do PRR. Fará, decerto, uma boa fotografia.
Achamos ótimo que Portugal invista em tecnologia. O que não consideramos aceitável é que, no mesmo mês em que se celebra uma IA nacional desenvolvida para "processar e compreender" a língua portuguesa, milhares de professores classificadores não consigam sequer que uma plataforma processe corretamente uma folha de prova com o código certo. De que serve um modelo de linguagem treinado em português europeu se a Administração não consegue garantir que uma plataforma de classificação não troque as respostas de dois alunos?
A escola pública não precisa de mais um lançamento mediático. Precisa que se confie e se invista nas pessoas que todos os dias a fazem funcionar: os professores.
A MetaPROF prova, com quase nada, que isso é possível. Resta saber se alguém, do outro lado, está disposto a atender o telefone.