Dossiê Exames 2026 · Comunicado à Imprensa

2.ª fase e reapreciações: testemunhos confirmam continuação dos padrões já denunciados

Lisboa, 5 de agosto de 2026. A MetaPROF recebeu, na última semana, novos testemunhos de professores classificadores envolvidos na 2.ª fase e nos processos de reapreciação dos Exames Nacionais 2026 e os padrões repetem-se.

Falhas de acesso à plataforma, pressão para trabalhar fora do horário e durante férias já autorizadas, e erros de correção sem resposta institucional continuam a chegar ao Dossiê Exames 2026: O Caos Documentado.

Pelo menos três relatos documentam falhas de acesso à plataforma de classificação — incluindo erro HTTP 500 e itens que desaparecem sem explicação do JNE. Pelo menos cinco relatos distintos documentam pressão directa sobre professores, com mensagens e chamadas repetidas a números pessoais, incluindo durante férias já autorizadas.

O que os testemunhos documentam

Tinha 141 itens para corrigir do exame de FQ-A da 2.ª fase. O acesso à plataforma foi interrompido e agora não tenho qualquer item para classificar, mas não recebi qualquer informação do JNE sobre se fui retirada do processo.

Professor(a) classificador(a) · Física e Química A

Recebi hoje mais mensagens do EduQA com pressão sobre ser hoje o último dia, e uma chamada do agrupamento do JNE para pressionar ainda mais e supervisionar o trabalho de correcção.

Professor(a) classificador(a) · Reapreciações

Se um professor não está a carregar no botão classificar, então aparentemente não está a corrigir. Vêem quem tem uma certa quantidade de respostas por classificar e depois redistribuem — sem aviso.

Professor(a) classificador(a) · Reapreciações

Continuam também a chegar relatos de dados incorrectos na plataforma — contagem de palavras errada em itens de composição, Fichas A não associadas às provas correspondentes — reportados pelos professores e sem qualquer resposta institucional até à data.

Nos termos da lei portuguesa (artigo 199.º-A do Código do Trabalho, aditado pela Lei n.º 83/2021), o empregador tem o dever de se abster de contactar o trabalhador durante o seu período de descanso, salvo em casos de força maior — uma regra que se aplica igualmente à Administração Pública. Contudo, os testemunhos recolhidos pela MetaPROF comprovam a violação reiterada deste direito ao longo de todo o processo.

Reapreciações: o retrato oficial e o que os testemunhos sugerem

Em declarações à Assembleia da República a 3 de agosto, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação indicou que mais de 50% das reapreciações já estavam concluídas e que, dos mais de 10 mil pedidos já tratados, 70% resultaram em subida de nota.

Os testemunhos recolhidos pela MetaPROF sugerem, contudo, que este número pode não reflectir a totalidade dos erros existentes: em vários relatos, professores voluntários só conseguiram identificar erros sistemáticos — respostas de escolha múltipla correctamente assinaladas mas classificadas com zero pontos por falha de leitura ótica — através de revisão técnica especializada, algo que a generalidade dos alunos e encarregados de educação não está em condições de fazer sozinha.

É uma leitura da MetaPROF, não um facto confirmado por auditoria, mas levanta a questão de quantos erros deste tipo nunca chegam a gerar um pedido de reapreciação, precisamente por exigirem conhecimento técnico e científico que o processo de reclamação, tal como desenhado, não pressupõe nem compensa.

Contacto para esclarecimentos: Pedro Brito | MetaPROF.pt · info@metaprof.pt · 917 352 023

MetaPROF — metaprof.pt

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