Os professores classificadores estão há semanas a corrigir provas numa plataforma que falha diariamente. São respostas que desaparecem das listas de correção, contadores negativos e classificações gravadas em circunstâncias que ninguém consegue explicar. Estes profissionais continuam a trabalhar com o máximo rigor, mas num sistema que não lhes dá as condições mínimas para o fazer.
Do outro lado da mesma moeda estão os alunos. Fizeram os seus exames, aguardam os resultados e, em muitos casos, já enfrentam a incerteza de não saber se a nota que vão receber irá refletir o seu esforço ou o caos técnico que se vive nos bastidores da avaliação. Quando estes jovens e as suas famílias expressam os seus anseios, as suas dúvidas ou se preparam para exercer o direito legítimo de pedir uma reapreciação de prova, não estão a atacar quem avalia. Estão a reagir a uma falha sistémica.
É fundamental que se entenda: o que está a falhar não é o professor. O que está a falhar não é o estudante. O que falha é o sistema que devia servir ambos.
O Ministério da Educação e o EduQA têm a responsabilidade legal e institucional de garantir que o processo das provas nacionais de exame decorra com total integridade técnica e procedimental. Em 2026, a meio de um processo crítico, essa garantia não existe. Os próprios documentos oficiais - como o Manual do Professor Avaliador e as sucessivas FAQ do Júri Nacional de Exames (JNE) - limitam-se a registar e tentar contornar anomalias informáticas que nunca deveriam existir num exame nacional.
O MetaPROF tem tentado obter esclarecimentos e respostas institucionais de forma sistemática. No entanto, perante as evidências, a tutela optou pela gestão do silêncio e pela ausência de respostas. É este silêncio que prejudica quem classifica e quem é avaliado, alimentando um clima de desconfiança que prejudica o ecossistema escolar em igual medida.
O professor que classifica sob estas condições informáticas adversas não pode carregar com a culpa do sistema. O aluno que aguarda uma nota sobre a qual já pairam dúvidas técnicas legítimas não pode ser ignorado, nem receber como única resposta fórmulas vazias de "aguarde com tranquilidade". Não podemos aceitar o confronto artificial entre as duas partes afetadas. Ambos são peças do mesmo puzzle - um puzzle que a tutela se recusa a admitir que está ferido de morte.
Para que o silêncio não abafe a realidade, o Dossiê Exames 2026 - O Caos Documentado alarga hoje o seu âmbito. Além da recolha contínua de denúncias de professores, abrimos um canal direto e seguro para os estudantes e encarregados de educação testemunharem os seus anseios, anomalias detetadas e vivências deste processo:
metaprof.pt/exames2026/metaestudantes/
Abre hoje às 20h56 — desce até à contagem
Esta plataforma serve para documentar os factos enquanto eles acontecem. Quando este processo terminar e toda a evidência estiver reunida, nenhuma instituição poderá invocar ignorância ou menorizar o impacto deste caos técnico.
Unidos na falha que não causámos. Unidos na exigência de transparência e rigor.
MetaPROF — metaprof.pt
Dossiê Exames 2026: O Caos Documentado