28 de julho de 2026. Com a reapreciação da 1.ª fase concluída e a 2.ª fase de exames já terminada, a MetaPROF encerra hoje o Espaço Reapreciação. Já não há nada a pedir ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), ao Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA, I.P.) ou ao Júri Nacional de Exames (JNE): o pedido de apoio logístico feito a 21 de julho ficou, do princípio ao fim, sem resposta.
Os números com que fechamos
Desde o arranque, a 17 de julho:
- 2738 provas foram submetidas e entraram no sistema.
- 1233 provas nunca chegaram a ser aceites, porque a infraestrutura do site da MetaPROF esgotou a capacidade para as receber. No total, quase 4000 alunos bateram à porta da MetaPROF.
- 46 professores voluntários, de 12 grupos disciplinares, deram o seu tempo, de forma gratuita e anónima.
- 317 pareceres pedagógicos foram emitidos: 134 (42%) aconselharam avançar com a reapreciação oficial; 183 (58%) não aconselharam, poupando a essas famílias um processo sem fundamento.
- 2421 provas, das que entraram no sistema, ficam por analisar. Fecham-se com este balanço, sem parecer.
"Nenhum aluno será prejudicado", garantiu o ministro da Educação, Fernando Alexandre. Entre as 1233 provas recusadas por falta de infraestrutura e as 2421 que nunca chegaram a ter parecer, são milhares os alunos que ficaram, de facto, sem essa proteção.
Uma garantia vazia
Essa garantia fica bem numa conferência de imprensa, mas não corresponde à realidade de quem não tem dinheiro para pagar um parecer técnico e científico sobre a sua prova, nem conhecimento para saber se vale a pena reclamar. Não foram os estudantes e as suas famílias que criaram este turbilhão de erros atrás de erros no processo de exames — mas são as famílias a quem se pede que desistam daquilo que devia estar garantido desde o início: rigor na avaliação e equidade entre todos. Não houve apoio logístico: o pedido formal que fizemos há mais de uma semana ficou sem resposta, precisamente enquanto essas famílias ficavam à espera de uma segunda opinião fundamentada.
A MetaPROF respondeu a esta crise desde as primeiras horas, com meios próprios, reforçando a infraestrutura do site à medida que a procura crescia. Ainda assim, como era previsível, não conseguimos responder a todos. Isso não é um efeito colateral — é o resultado de uma escolha política que preferiu salvaguardar os interesses do próprio governo.
O contexto nacional. Segundo dados avançados pela Lusa e citados pelo Observador a 27 de julho, o Ministério da Educação registou este ano 15 mil pedidos de reapreciação de prova a nível nacional — mais do dobro dos 6200 pedidos da 1.ª fase de 2025. O próprio ministro reconheceu que o novo método de avaliação digital gerou um número invulgar de notas a uma décima da aprovação, e admitiu que este aumento era previsível. Se já sabia que isto ia acontecer, só resta uma explicação para o silêncio perante o pedido da MetaPROF: geriu a narrativa em vez de gerir a crise. A sobrevivência política de um ministro que reconhece falhas, mas nunca assume consequências, pesou mais do que as famílias à espera de uma resposta.
O que fica. A MetaPROF não vai voltar a pedir. Fica o registo: uma bolsa de 46 professores voluntários respondeu, com meios próprios e sem uma única verba pública, a uma fração da procura nacional por uma segunda opinião pedagógica, técnica e científica. A escola não falhou. O profissionalismo dos professores nunca esteve em causa. Quem falhou, mais uma vez, foi um Ministério que ignorou os seus próprios recursos humanos e a capacidade cívica de quem prestou, voluntariamente, um serviço público de excelência.
Contacto para esclarecimentos: Pedro Brito, 91 735 20 23 — MetaPROF.pt
MetaPROF — metaprof.pt
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